Perguntas Frequentes

Nesta página estão selecionadas perguntas e respectivas respostas sobre o tema avaliação. Você também pode fazer o download deste arquivo clicando aqui.


(1) O que é Avaliação Formativa?

A palavra “formativa, diz Harlen, refere-se à avaliação que promove as aprendizagens, usando evidências do que os estudantes aprenderam, em relação ao alcance dos objetivos propostos, para que juntos planejem os próximos passos e a maneira de atingi – los. Portanto, tudo o que os estudantes produzem e realizam é avaliado. Não há procedimentos específicos para a avaliação formativa. A maneira de usá-los é que faz a diferença, afirma Hadji (1994, p. 165).


(2) Como avaliar na perspectiva da avaliação formativa?

A avaliação formativa é uma modalidade de avaliação baseada no diálogo, cujo objetivo é o constante reajustar do processo de ensino para proporcionar ao estudante a aprendizagem adequada. É fluida, está inclusa no processo de ensino-aprendizagem, portanto, não é estanque, estagnada, rígida. Ela se concretiza nos contextos vividos pelos professores e estudantes e tem como função, a regulação das aprendizagens. Busca também legitimar a aprendizagem como processo contínuo e permanente, por meio da ressignificação do erro. Ela atua sob a ótica das aprendizagens significativas. Na avaliação formativa o destaque é no entendimento dos processos cognitivos utilizados pelo estudante, que analisados e interpretados qualitativamente, e não quantitativamente, oferecem condições a continuidade do processo ensino-aprendizagem.

Um dos elementos essenciais da Avaliação Formativa, são os “feedbacks” e a “autoavaliação”, pois permite a interlocução entre professor e estudantes sobre, os pontos fortes e frágeis do processo como um todo. Os fundamentos da Avaliação Formativa são: estratégias aprofundadas e individuais para cada estudante, responsabilidade do professor, processo e conquista das aprendizagens, intervenção pedagógica e registro.

O planejamento deve ser bem organizado para a efetivação de uma avaliação formativa. Essas ações devem incluir tarefas contextualizadas, que levem os estudantes a estabelecerem relações para solucioná-las, conduzindo-os ao desenvolvimento de suas aptidões.


(3) Quais instrumentos podem ser utilizados para a realização de avaliação formativa?

Os instrumentos de avaliação possibilitam o acompanhamento da aprendizagem do aluno, visto que expressam o que o aluno aprendeu, deixou de aprender ou ainda precisa aprender. Os instrumentos apresentam registros de diferentes naturezas: expresso pelo próprio aluno (provas, cadernos, textos e outros) ou expresso pelo professor (pareceres, registro de observação, fichas e outros). 

Segundo Vasconcellos (2003), a reflexão crítica dos instrumentos de avaliação remete o professor a alguns questionamentos voltados ao como são preparados os instrumentos, como analisados e corrigidos, como é feita a comunicação dos resultados e o que se faz com os resultados obtidos. Todos esses aspectos necessitam ser amadurecidos pelo professor. Porém, a elaboração do instrumento é um ponto crucial nessa reflexão.

Considerando que a avaliação formativa é um conjunto de práticas que utiliza diferentes métodos avaliativos para medir de maneira profunda e individual o processo de ensino-aprendizado dos alunos.  Os os instrumentos de avaliação formativa mais comuns são:

1. Autoavaliação – é um dos principais instrumentos de avaliação formativa. Afinal, a avaliação formativa é um método avaliativo um pouquinho diferente dos convencionais, ela acredita que os estudantes que estão passando por um processo completo de ensino-aprendizagem precisam atuar ativamente em seu processo rumo ao conhecimento.

Os estudantes não devem ser meros telespectadores e sim autores de seu caminho rumo ao saber. Esse protagonismo presente no método formativo das avaliações é também um dos principais pilares da Base Nacional Comum Curricular, que veio para modificar todo o currículo da Educação Básica brasileira.

Logo, nada mais autônomo que um instrumento avaliativo que permite com que os próprios estudantes meçam seu aprendizado sobre determinado assunto. Além de favorecer esse protagonismo, essa ideia de se autoavaliar é também uma das prerrogativas das competências socioemocionais

Afinal, quando nos auto avaliamos estamos também praticando a autogestão e trabalhando aspectos, como sinceridade e empatia, já que nos colocamos no lugar no professor e analisamos se fomos mesmo tão assíduos às aulas e se nos dedicamos como deveríamos.

2. Testes tradicionais – Os próprios testes tradicionais também são utilizados como instrumentos de avaliação formativa.

Unidos às autoavaliações, as provas tradicionais podem sim ser métodos avaliativos válidos e mensurar o nível de aprendizado dos estudantes. No entanto, dentro da avaliação formativa, elas serão mais que meras provas tradicionais, já que diferente das avaliações somativa, a formativa acredita que o erro é parte do processo e não uma falta grave. 

3. Simulados – são ótimos instrumentos de avaliação formativa. Eles servem não apenas para avaliar, mas também para preparar estudantes para um determinado exame ou prova.

Há atualmente simulados online do Enem, por exemplo, excelentes alternativas para estudantes no Ensino Médio que estão se preparando para prestar o Exame Nacional do Ensino Médio e precisam estudar com afinco para essa prova que é tão concorrida. Inclusive, algumas plataformas online já têm elaborado simulados do Enem com questões inéditas que seguem 100% as diretrizes do Exame oficial. 

4. Seminários – são instrumentos de avaliação formativa válidos e que promovem a autonomia e protagonismo dos estudantes. Afinal essa é uma metodologia ativa que procura fazer com os alunos manifestem sua opinião sobre determinado assunto em sala de aula. Mudando um pouco o cenário: professor no centro da sala e detentor de todo o conhecimento.

Nesse tipo metodologia e instrumento de avaliação formativa, os professores fazem um círculo na sala e avaliam a participação dos estudantes na discussão sobre um conteúdo proposto com antecedência. Essa estratégia é bastante interessante e se adequada muito bem à ideologia de participação ativa dos estudantes durante as aulas, inclusive para aulas online.

5. Trabalhos em grupo – fomentam a curiosidade e protagonismo dos estudantes. Por isso, são ótimos instrumentos de avaliação formativa.

Em grupo, os estudantes aprendem a lidar com a opinião do outro e a chegarem juntos a um consenso, o que é fundamental para trabalhar a diversidade e enfrentar o bullying escolar.


(4) O que é o ensino hibrido?

O ensino híbrido é o tipo de ensino que mescla atividades presenciais com as virtuais, por meio do ambiente virtual de aprendizagem. Segundo o filósofo Pierre Lévy, uma sala de aula virtual é efetivamente uma sala de aula e não se pode imaginá-la como uma imitação dessa sala. Também em linhas gerais, McLuhan afirma que as tecnologias são extensões do corpo e da inteligência do homem. Sendo assim, poderíamos dizer que se não há diferenças entre um modelo virtual de aprendizagem e o presencial, as maneiras de se avaliar também seriam as mesmas. Entretanto, há que se considerar a excepcionalidade do momento que atravessamos e recomenda-se, nesse contexto de pandemia, a centralidade do caráter formativo da avaliação. Em situação de normalidade, onde há condições de estudo e equidade no acesso aos instrumentos, poder-se-ia afirmar que não há diferença entre as modalidades de ensino, mas diante da excepcionalidade do momento, no qual o público alvo se caracteriza pelas desigualdades no acesso às tecnologias, é necessário um olhar generoso no avaliar. O ensino híbrido permite maior diversidade de recursos tecnológicos para o ensino-aprendizagem. É importante motivar os alunos e motivar-se também, a fim de que o momento seja de fato uma oportunidade de aprendizado e de aquisição de autonomia para se avançar no ensinar e  no aprender.


(5) Quais desafios marcam a avaliação no ensino híbrido?

O ensino híbrido, por ser uma modalidade nova, ainda está envolto em dúvidas e desafios. Para Leandro e Corrêa (2018), embora o ensino híbrido proporcione uma aprendizagem mais dinâmica ele exige por parte dos discentes uma postura proativa e por parte dos docentes uma formação específica diante de uma realidade com escassez de legislação regulamentadora. 

O processo de ensino e aprendizagem acompanha a apreensão do conhecimento de forma gradual de modo que não se dissocie o processo do conhecimento e o processo avaliativo. Eles são intrínsecos e o primeiro só evolui em consonância constante com o ato avaliativo. 

No entanto, alguns desafios se apresentam nesta forma de avaliação, entre os quais: a dificuldade em se acompanhar de forma efetiva o desenvolvimento individual do estudante; a insegurança gerada em todos pela ausência de acompanhamento presencial, exigência de maior organização e de planejamento mais detalhado e cuidadoso. A corresponsabilização no processo de aprendizagem exige maturidade do estudante no sentido de aprender a aprender, o que conduz a uma autonomização do processo de conhecimento.


(6) Quais reflexos da pandemia do Covid-19 sobre a avaliação das aprendizagens nos diversos sistemas educacionais?

Um dos maiores desafios para as políticas públicas na área de educação em todo o Brasil, mesmo antes da pandemia, é manter o aluno na escola e garantir o processo de aprendizagem. Em nosso país, a vida estudantil é repleta de desafios, especialmente para os estudantes em situação de vulnerabilidade social, que mesmo antes da pandemia já encontravam obstáculos dos mais diversos no percurso acadêmico. O contexto atual potencializa essas dificuldades e, como consequência, aumenta a probabilidade de abandono escolar. A peleja a ser vencida por todas as redes é evitar o abandono escolar e reconhecer o esforço dos estudantes e equipes escolares para garantir o processo de aprendizagem durante a pandemia, em condições bastante adversas.

É quase unanimidade entre as redes reavaliar, ou até mesmo suspender, a aplicação de avaliações externas para efeito de avaliação do desempenho das redes ou sistemas de ensino em 2020. Tais ações atendem à recomendação do Conselho Nacional de Educação (CNE), que põe como urgente garantir uma avaliação equilibrada dos estudantes em função das diferentes situações enfrentadas em cada sistema de ensino, assegurando as mesmas oportunidades a todos que participam das avaliações em âmbitos municipal, estadual e nacional.

Quanto à avaliação interna, especificamente no que tange à promoção, o CNE prega cautela e recomenda que cada instituição ou rede de ensino avalie cuidadosamente os impactos da reprovação dos estudantes ao final do ano letivo de 2020, considerando que muitas lacunas de aprendizagem que ocorrerão neste ano, em virtude das restrições impostas pela pandemia da COVID-19 no processo educacional, deverão ser recuperadas nos anos seguintes, em particular em 2021. 

Diante dos acontecimentos e observando as ações pelo Brasil e pelo mundo, a SEEDF pautará as suas ações de modo a adequar a avaliação das aprendizagens ao projeto de educação pública democrática e emancipatória proposta pelo Currículo em Movimento para a Educação Básica, fundamentado na Pedagogia Histórico-Crítica e na Psicologia Histórico-Cultural.


(7) Quais recomendações para avaliação no ensino híbrido?

Estudos que refletem sobre a educação em tempos de pandemia, na contemporaneidade, ainda são inéditos e escassos. Porém, o horizonte que aponta para o caráter formativo de avaliação, independentemente do contexto, deve ser seguido em sua essência a fim de subsidiar um bom diagnóstico para o planejamento e replanejamento das ações em prol da aprendizagem. Para isso, propomos reflexões necessárias ao processo de avaliação em contexto de atividades pedagógicas híbridas.

Primeiramente, é importante garantir a coesão entre as atividades pedagógicas presenciais e as não presenciais. O Conselho Nacional de Educação (CNE) recomenda que as avaliações e exames de conclusão do ano letivo de 2020 das escolas se restrinjam aos conteúdos curriculares efetivamente oferecidos aos estudantes, considerando o contexto excepcional da pandemia, com o objetivo de evitar o aumento da reprovação e do abandono escolar. A exemplo do que já se esperava no ensino presencial, a participação, o protagonismo e a autonomia dos estudantes, deverão ser promovidos e, constantemente, estimulados. Para tanto, a avaliação também precisa ser um momento para a construção de conhecimento e norteada pelo princípio básico da avaliação formativa. Ela é o meio e não o fim do processo dialético de ensino e de aprendizagem. A avaliação, portanto, não deve ser pautada por propostas inalcançáveis e em desacordo com as possibilidades de aprendizagem ofertadas, mas deve contar com inúmeras formas de mensurar, qualitativamente, os avanços das aprendizagens.


(8) No que se refere ao instrumento avaliativo “prova”, quais fatores devem ser considerados?

Em muitas instituições de ensino, ainda é possível perceber uma supervalorização da “prova” em comparação a outros instrumentos avaliativos. Luckesi (2002) atribui esse comportamento a uma exigência social, servindo apenas como uma maneira visível de pais e alunos acompanharem o progresso.

Para que a prova tenha um caráter pedagógico e esteja a serviço da aprendizagem, isto é, assuma a função formativa, alguns fatores devem ser levados em consideração; são eles:

a) a prova deve colaborar com o trabalho pedagógico, propiciando informações claras e precisas para o professor sobre o que o aluno sabe ou não sabe;
b) atividades de recuperação devem ser ofertadas de acordo com os resultados obtidos;
c) o caráter quantitativo (a nota) da prova não deve ser mais valorizado que outros;
d) o professor deve fazer uso da prova como instrumento de coleta de dados,  buscando obter o maior número de informações relativas à aprendizagem dos estudantes, bem como a qualidade deste em relação aos objetivos propostos;
e) a prova é um instrumento regulador da aprendizagem, pois é capaz de evidenciar erros e dificuldades, sendo que estes devem ser tomados como objeto de estudo e não como rejeição ou punição;
f) a prova deve ser usada para que haja diálogo entre professor e estudante. O professor deve ajudar o estudante a perceber o que ele fez de errado, as causas deste erro e que precisa ser feito;
g) a prova deve servir para reflexão e redirecionamento do trabalho do professor.


(9) No contexto de pandemia, como fazer com que a avaliação não seja mais um obstáculo à aprendizagem?

Para que a avaliação seja uma aliada da aprendizagem e não um obstáculo, é preciso primeiramente recordar que mesmo em contexto híbrido a perspectiva avaliativa é a formativa. Logo, a avaliação continua sendo processual, não punitiva e auxiliar do repensar das práticas. Sobretudo no momento em questão, os estudantes possivelmente estão retornando com anseios, dores e defasagens de aprendizado. 

Sendo assim, a avaliação precisa ser colocada como uma oportunidade ímpar de revisão, de reforço. Assim, flexibilizações são possíveis, como permissão para refazer atividades, seja as entregues pessoalmente ou aquelas postadas na plataforma online. Ademais, os critérios de correção precisam estar ainda mais claros para o estudante se sentir corresponsável pelo momento avaliativo assim como o é no que tange a própria construção da aprendizagem. E, finalmente, é recomendável se evitar acúmulo de avaliações em um mesmo dia, pois qualquer tensão pode vir a prejudicar o estudante nesse momento, visto que na semana marcada para determinada avaliação este pode estar doente, perdendo um conhecido ou pessoa próxima etc.


(10) Como realizar a recuperação processual no ensino híbrido?

Antes de se falar em avaliação e recuperação processuais, os professores necessitam definir quais técnicas e métodos adotarão no ensino híbrido, dentro dos modelos sustentados e disruptivos. No processo de ensino-aprendizagem, os feedbacks devem ser permanentes para não se perder de vista os objetivos da aprendizagem. A avaliação processual revelará como se deu a construção de conhecimento pelos estudantes, bem como as fragilidades da aprendizagem.

 Esse modelo de recuperação, através da avaliação processual, ocorrerá a partir da revisão do planejamento do educador com a adaptação, a troca ou a revisão de aplicação das técnicas e dos métodos empregados inicialmente e que mostraram-se insuficientes para o aprendizado esperado.

Um exemplo de atividade de recuperação processual seria utilizar tarefas e roteiros de estudo, ambos adaptados para serem realizados em casa, cujo feedback ocorrerá durante as aulas presenciais. A técnica da sala de aula invertida, que incentiva o protagonismo dos alunos enquanto pesquisadores, pode ser uma boa opção para a realização desse feedback. Além disso, é importante garantir dentro de todo o processo um espaço para o diálogo entre professor e aluno como parte integrante do processo avaliativo.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, 2020. Parecer CNE/CP Nº: 11/2020, aprovado em 07/07/2020.
CORRÊA, Elisete Marcia; LEANDRO, Sandra Maria. ENSINO HÍBRIDO (BLENDED LEARNING): POTENCIAL E DESAFIOS NO ENSINO SUPERIOR. Em Rede Revista de educação a distância, Rio de Janeiro, v.5, n.3, p. 387-396.

FREITAS, L.C et al. (2009), Avaliação Educacional: Caminhando pela contramão, Petrópolis: Vozes, (Fronteira Educacionais).

HADJI, C. (1994). A avaliação, regras do jogo: Das intenções aos instrumentos. Porto: Porto Ed.

LÉVY, Pierre. O que é virtual? São Paulo, Ed. 34, 1996.

LUCKESI, C. C. Avaliação da aprendizagem escolar. 12. ed. São Paulo: Cortez, 2002.

MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cultrix, 1974.

MORAES, D. A. F. Prova: instrumento avaliativo a serviço da regulação do ensino e da aprendizagem. Est. Aval. Educ., São Paulo, v. 22, n. 49, p. 233-258.

RODRIGUES, E. (2008). Aprendizagens através da Avaliação Formativa. Em:
https://www.pedagogia.com.br/artigos/avaliacaoformativa/index.php

VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Avaliação da aprendizagem: práticas de mudança –
por uma práxis transformadora. São Paulo: Libertad, 2003., maio/ago. 2011.

SUGESTÕES DE LINK:

https://www.bbc.com/portuguese/brasil-52208723

https://novaescola.org.br/conteudo/19435/como-avaliar-em-tempos-de-pandemia